Seu iPhone vai deixar você escolher entre Claude, Gemini e ChatGPT — e a Siri nunca mais vai ser a mesma

Por anos, a Siri foi alvo de piadas. Lenta, limitada, muitas vezes inútil diante de perguntas simples. Enquanto o ChatGPT explodia em popularidade, a assistente da Apple parecia parada no tempo.

Isso vai mudar. E a mudança é maior do que muita gente espera.

No iOS 27, a Apple não vai apenas melhorar a Siri. Ela vai abrir o iPhone para um ecossistema inteiro de inteligências artificiais — e deixar você escolher qual delas vai trabalhar para você.


O fim da exclusividade do ChatGPT

Desde dezembro de 2024, o ChatGPT era o único assistente de IA externo integrado à Siri. Quando a Siri não sabia responder algo, ela perguntava se você queria encaminhar a pergunta ao ChatGPT. Era uma parceria exclusiva — e funcionou como ponto de partida.

Agora, essa exclusividade acaba.

Com o iOS 27, a Apple vai lançar um sistema chamado Extensions — uma estrutura que permite a qualquer app de IA disponível na App Store se integrar à Siri e a outros recursos do iPhone. Claude, da Anthropic, e Gemini, do Google, já estão sendo testados internamente pela Apple. E qualquer outro serviço que atenda aos critérios da empresa poderá entrar pelo mesmo caminho.

Na prática: se você tiver o app do Claude instalado no seu iPhone e ativar a extensão nas configurações, ele passa a estar disponível dentro da Siri. O mesmo vale para o Gemini. Você escolhe qual IA prefere para cada tipo de tarefa.


Como vai funcionar na prática

A configuração vai ficar dentro de Ajustes > Apple Intelligence e Siri, uma seção que já existe e vai ser expandida. Por lá, você define qual assistente de IA quer usar — e pode potencialmente usar mais de um para tipos diferentes de pergunta.

As possibilidades são diretas: Gemini para pesquisas e perguntas factuais, Claude para textos mais elaborados e análises, ChatGPT para criatividade. Cada um com seus pontos fortes — e você no controle.

Há ainda um detalhe revelador sobre como a Apple pensa essa abertura: quando a Siri responder com a sua IA nativa, vai usar uma voz. Quando encaminhar para um assistente externo, vai usar outra voz diferente. É uma forma de deixar claro de onde vem cada resposta — sem confundir o usuário sobre quem está falando.


As Extensions vão além da Siri

Esse é o ponto que a maioria das notícias está perdendo.

As Extensions não funcionam só dentro da Siri. Elas se conectam a praticamente todo o ecossistema de Apple Intelligence:

✍️ Writing Tools — as ferramentas de escrita do iPhone que revisam, reescrevem e resumem textos em qualquer app poderão usar o modelo de IA que você escolheu.

🖼️ Image Playground — o gerador de imagens nativo do iOS poderá ser alimentado por modelos externos.

📧 Resumos de e-mail e notificações — a IA que condensa suas mensagens também poderá ser trocada.

Em vez de um assistente de IA dentro da Siri, a Apple está criando uma plataforma onde IAs externas se conectam a todas as funções inteligentes do iPhone. É uma mudança de arquitetura — não apenas de funcionalidade.


Por baixo dos panos: o Gemini está dentro da nova Siri

Enquanto as Extensions dão ao usuário a escolha do que aparece na superfície, há algo mais acontecendo por dentro.

Em janeiro de 2026, Apple e Google fecharam uma parceria avaliada em cerca de US$ 1 bilhão por ano. O acordo permite que modelos do Gemini sirvam de base para a próxima geração do Apple Intelligence — incluindo a Siri reformulada.

O CEO de cloud do Google confirmou o acordo publicamente em abril. Mas do ponto de vista do usuário, nada disso aparece. Não há logotipo do Gemini na tela. Não há menção ao Google. A experiência continua com a identidade visual da Apple, como se fosse tudo feito internamente.

Portanto há dois Geminis no iOS 27: o que roda invisível por baixo da Siri nativa, e o que você pode instalar como Extension e escolher explicitamente. São camadas diferentes — com papéis diferentes.


A Siri que vai aparecer no WWDC

Além do sistema de Extensions, a Siri em si passa por uma reformulação que vai muito além da parte técnica.

A nova Siri ganha um app próprio — pela primeira vez na história, ela terá uma interface dedicada, parecida com um chat, onde você pode ver o histórico das conversas anteriores e retomar onde parou.

A interface no Dynamic Island também muda. Quando você acionar a Siri, o Dynamic Island vai exibir um prompt de “Pesquisar ou Perguntar”, com um cursor brilhante ao redor das bordas — a mesma estética que apareceu discretamente no convite visual que a Apple divulgou para o WWDC 2026.

Esses recursos são esperados para iPhone 15 Pro ou mais recente. Modelos mais antigos devem ter acesso parcial ou nenhum acesso às funções de Apple Intelligence.


Quando chega e o que ainda não sabemos

O anúncio oficial acontece no WWDC 2026, dia 8 de junho, às 14h de Brasília. Lá, a Apple deve revelar:

  • Quais IAs vão participar do sistema de Extensions no lançamento
  • Quais critérios de privacidade e segurança as empresas precisam cumprir
  • Quais recursos vão estar disponíveis com o iOS 27 em setembro e quais virão em atualizações posteriores
  • Se haverá adaptações para mercados específicos — como o Brasil

Uma questão ainda aberta: o iOS 27 chegará ao Brasil com todas as funções de IA ativas desde o início? O histórico do Apple Intelligence no país não é animador — em outros mercados, a Apple levou meses para liberar recursos de IA após o lançamento inicial.

Outra dúvida pertinente é a China. A Apple Intelligence ainda não está disponível no país em maio de 2026, aguardando aprovação regulatória. O sistema de Extensions pode ser a solução arquitetural para esse problema — permitindo que provedores aprovados localmente se conectem ao iPhone sem depender de um modelo global único.


Por que isso importa — mesmo para quem não liga para a Siri

A abertura do iOS 27 para múltiplas IAs é mais do que uma atualização de assistente virtual. É uma mudança estratégica profunda.

Por anos, o iPhone foi sinônimo de ecossistema fechado. A Apple controlava cada camada da experiência. Agora, pela primeira vez, ela está criando uma infraestrutura onde empresas externas — incluindo concorrentes diretos como Google e Anthropic — podem operar dentro do sistema operacional.

O motivo é prático: a Apple não desenvolveu modelos de IA próprios competitivos. Ao abrir para parceiros, ela transforma o iPhone numa plataforma de distribuição de IA — similar ao que fez com a App Store para apps. Quem controla a superfície onde a IA roda tem tanto poder quanto quem cria a IA.

Para o usuário de iPhone no Brasil, a mensagem é direta: em setembro, quando o iOS 27 chegar, a Siri que você conhece vai ser diferente. E pela primeira vez, você vai ter voz sobre qual inteligência artificial trabalha para você dentro do seu próprio celular.


Resumo rápido

O que éSistema Extensions do iOS 27 para múltiplas IAs
IAs confirmadasChatGPT, Gemini e Claude
Onde configurarAjustes > Apple Intelligence e Siri
Funciona só na Siri?Não — Writing Tools, Image Playground e mais
Motor interno da nova SiriGemini (parceria de US$ 1 bi/ano com Google)
Quando será anunciadoWWDC — 8 de junho às 14h de Brasília
Lançamento previstoSetembro de 2026 com iOS 27
Dispositivos compatíveisiPhone 15 Pro ou mais recente (Apple Intelligence)
BrasilSem confirmação de disponibilidade completa no lançamento

Fontes: Bloomberg — Mark Gurman · MacRumors · DigitBin · Nerd Level Tech · Trending Topics EU · Gizchina · Digital Applied · Apfelpatient — maio de 2026.


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