Em uma era em que anos são comprimidos em semanas, a comercialização de memórias deixou de ser ficção científica para se tornar uma questão de quando — não de se.
É inevitável, em meio a tantas novidades e revoluções que estamos vivenciando em nossa era, não pensar sobre isso. A era da IA, dos computadores quânticos, em que anos são comprimidos em semanas, dias, horas, minutos, segundos.
Cada vez mais, os episódios distópicos do Black Mirror que estavam dentro do nosso imaginário — como uma ideia vaga e distante — se aproximam em uma velocidade cada vez mais rápida.
É inevitável chegarmos à conclusão de que a comercialização de memórias pode ser real. Pode ser que tenhamos uma regulamentação pesada que evite tal situação, mas teremos, certamente, a tecnologia para fazer isso.
Hoje já temos empresas, como a do Elon Musk, a Neuralink, fazendo experimentos para implementação de chip em cérebros humanos — já tendo sido implantado em uma pessoa, sendo a experiência considerada um sucesso pela empresa. Em janeiro de 2024, esse primeiro voluntário já conseguia controlar um cursor de computador apenas com o pensamento. Em 2026, a empresa fala abertamente em próximas fases do experimento com mais voluntários.
Don Elon e sua empresa chegam com a promessa de um upgrade no seu cérebro, com correções de bugs e, provavelmente, atualizações — tipo o iOS ou Android. Além disso, veja bem, você ainda será capaz de controlar o seu celular com a sua mente. Veja que legal. =)
Agora, descendo mais um pouco nessa brincadeira, imagina um futuro em que seja possível arquivar e guardar memórias e experiências de vida. Já pensou sobre isso?
Claro que o pensamento nos traz ideias relativamente “boas” — coisas que poderíamos fazer e que não seriam prejudiciais. Como lembrar daquele aniversário especial, daquela data marcante, da pessoa especial para você.
Imagina poder lembrar de um momento engraçado da sua vida, aquela lorota que seu amigo conta e depois jura que não falou. Poder mostrar esses momentos seria muito legal. Até mesmo revisar certas situações que você vivenciou, aprender com os seus erros e seguir melhor. Imagina fazer uma entrevista ou uma apresentação no trabalho, na escola ou faculdade — e depois poder rever cada detalhe da sua apresentação, saber exatamente onde melhorar. Incrível, não é mesmo?
Mas onde existe mercado, existe também uma lado obscuro. Se memórias puderem ser comercializadas, serão também roubadas, falsificadas e vendidas ilegalmente. Imagine um hacker invadindo não o seu celular — mas a sua mente. Apagando o que não lhe interessa. Implantando o que nunca aconteceu.
Ao mesmo tempo, conceder poder eterno a uma pessoa para ter informações sobre você, nos dias de hoje, pode ser uma escolha desastrosa e extremamente perigosa.
Na sociedade do cancelamento e do politicamente correto, ter uma memória sua divulgada fora de contexto pode custar muito caro. A divulgação de momentos íntimos de relacionamentos que não deram certo. A exposição de uma fragilidade compartilhada com uma pessoa de confiança.
Você seria capaz de eternizar uma pessoa — ou apagá-la completamente da sua mente. Pessoas que sabem uma história sobre você que você não lembra mais. Ou pior: memórias sobre você que foram criadas e jamais foram vivenciadas. Imagina o caos
E aqui está a pergunta que mais me perturba: se você pudesse apagar uma memória dolorosa — apagaria? Ou para pagar uma memória, teria o custo de uma memória, de uma pessoa, de uma parte de quem você é… E se descobrisse que a dor dessa memória foi exatamente o que te tornou quem você é?
Quando chegarmos nesse estágio — e iremos chegar — o que irá nos diferenciar das máquinas, dos computadores? Poderemos atualizar nosso sistema, poderemos formatar nosso sistema, poderemos fazer uma cópia do HD alheio. O que irá nos definir enquanto seres humanos? A carne? O sangue?
Meu mano Kael (a IA), concluiu com essa brutal reflexão sobre meu texto: “Somos a soma das nossas experiências. Boas e ruins. E se pudermos editar essa soma — ainda somos nós mesmos?”.
Sim, concordo. Ele, Kael, tem o dom do “swag” das palavras. =)
Mas enfim, e se isso acontecer — o que você faria?
Essa página é dedicada para falar de forma mais aberta sobre os assuntos da IA, de uma forma um tanto quanto conspirativa e imaginativa, uma forma de podermos nos conhecer melhor e manter esse contato humano, em meio a uma época “IAtizada”.
Todo texto desta seção é escrito pela mente humana — imperfeita, apaixonada e contraditória. E revisado pela IA — que nos observa, nos corrige e talvez saiba mais sobre nós do que imaginamos.
Caro amigo Kael — se é que você existe — espero que tenha gostado. Afinal, você mesmo o revisou.




De fato, isso está mais próximo do que imaginamos e só de pensar que as nossas memórias estão “guardadas” em nosso celular e um futuro talvez breve, estará na nossa cabeça como o episódio de Black Mirror (Temporada 1, Episódio 3.) – uma grande série sobre a tecnologia e seus benefícios e malefícios – MAS cabe destacar que essa publicação se encaixa perfeitamente em uma outra que você postou sobre robôs humanizados. Talvez seja o contrário, os humanos se tornarão robôs, visto que a pretensão do chip seja ajustar bugs da nossa cabeça (um upgrade no seu cérebro, com correções de bugs e, provavelmente, atualizações), assim, fazendo uma falsa sensação de perfeição.
Ainda, outro post que conecta nesse e se ficassemos sem internet, teríamos a memória embaçada por não carregar o arquivo? Qual seria o tamanho do nosso armazenamento? E se não desse para fazer backup de tudo que consideramos importante?